Resumo da fonte: Rafaela Silva e Daniel Cargnin são os principais nomes da delegação, que também chega muito bem cotada na prova por equipes; nova geração busca despontar com atletas jovens
Guilherme Costa faz projeções para atletas brasileiros no Mundial de judô
O Campeonato Mundial de judô tem início neste domingo (4), em Baku, no Azerbaijão, e o Brasil, como de costume, chega como favorito a medalhas. Os principais nomes da seleção são Rafaela Silva e Daniel Cargnin, e a competição pode marcar a retomada de Beatriz Souza, campeã olímpica em Paris 2024, que está em 20º no ranking mundial. O time também conta com jovens promessas, como Clarice Ribeiro, Rafaela Rodrigues e Ronald Lima. O blog analisa as chances dos atletas brasileiros na competição.
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Rafaela Silva conquista medalha de ouro para o Brasil no Grand Prix da Áustria
Rafaela Silva é favorita ao pódio no Mundial de judô — Foto: Anderson Neves/CBJ
Rafaela Silva (categoria até 63kg): terceira colocada do ranking mundial, tem ido ao pódio nas principais competições do Circuito. Foi campeã do Grand Slam de Paris, em fevereiro, e do Grand Prix da Áustria, em março. Também conquistou os bronzes nos Grand Slams do Cazaquistão, em maio, e de Abu Dhabi, em novembro do ano passado. No Campeonato Mundial de 2025, ficou perto da medalha, em quinto lugar. Atleta da categoria até 57kg até Paris 2024, subiu de peso depois dos Jogos.
A principal rival de Rafa e favorita ao ouro no Mundial é a japonesa Haruka Kaju, que não perdeu nenhuma luta neste ciclo. A francesa Clarisse Agbegnenou, hexacampeã, está na chave, voltando da segunda gravidez, e é uma grande adversária e pode ser rival da Rafaela já nas oitavas de final. Outros bons nomes são as mongóis Enkhriilen Lkhagvatohoo e Gankhaich Bold, as canadenses Jessica Klimkait e Catherine Beauchemin-Pinard, a holandesa Joanne Van Lieshout e a francesa Manon Deketer. Pinard, alias, pode ser adversárias de Rafaela logo na segunda rodada.
Rafaela Silva finaliza adversária e conquista medalha de ouro no Grand Slam de Paris
Daniel Cargnin (até 73kg): vice-líder do ranking, foi vice-campeão mundial no ano passado e, em agosto de 2026, se sagrou campeão do Grand Slam da Suíça. Sofreu com muitas lesões no último ciclo olímpico, mas vem de uma série de bons resultados. O francês Joan-Benjamin Gaba, que derrotou Cargnin na final do Mundial do ano passado, não vive grande fase e está em 12º no ranking. O líder é Muhiddin Asadulloev, do Tadjquistão, e outros nomes estão entre os principais candidatos ao pódio em Baku: Makhmadbek Makhmadbekov, dos Emirados Árabes Unidos, o russo Danil Levrentev e o azeire Rashid Mammadaliyev. Pelo chaveamento, pode ter uma estreia complicada, mas em que é favorito, contra o tcheco Karimov(25º do ranking). Em teoria, é uma luta um pouco mais tranquila nas oitavas. Nas quartas, um provável encontro contra o italiano Giovanni Esposito, que é bom, mas não assusta tanto.
Com virada emocionante, Cargnin vence russo Lavrentev e é ouro no Grand Slam da Suíça
Torneio por equipes: a seleção brasileira é uma das principais equipes do mundo, foi bronze nas Olimpíadas de Paris e quinta colocada no Campeonato Mundial do ano passado. Há várias formações possíveis e times muito bons nos dois naipes (masculino e feminino), apenas com uma lacuna no peso pesado masculino. Japão e França seriam favoritos ao ouro, e Brasil, Geórgia, Rússia, Coreia do Sul e Itália brigam pelas outras medalhas.
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Guilherme Schimidt é top 5 no ranking de sua categoria; veja análise de Guilherme Costa
Guilherme Schmidt (até 90kg): quinto colocado do ranking mundial, se adaptou muito bem à nova categoria. Atleta olímpico em Paris 2024 na disputa até 81kg, passou por uma cirurgia grave no joelho e, na volta, subiu de peso. Neste ano, conquistou o título no Grand Slam da Hungria, foi vice no Grand Slam do Cazaquistão e no Grand Prix da China. Ainda conquistou bronze no Grand Slam da Geórgia. O principal favorito na categoria é o japonês Sanshiro Murao, líder do ranking e campeão mundial. O Japão levará um segundo atleta, Goki Najima, que fez a final com Murao ano passado. Luka Maisuradze, da Geórgia, e Murad Fatiyev, do Azerbaijão, também estão entre os mais cotados. Não deve ter uma estreia complicado, depois nas oitavas de final pode pegar um uzbeque perigoso ou mesmo o alemão Tripell, super vitorioso, mas que volta de grave lesão. Se tudo correr dentro do previsto, faz quartas de final com Rafael Macedo.
Guilherme Schimidt vence no golden score e fatura o bronze no Grand Prix de Lima
Nauana Silva (até 70kg): Décima quinta no ranking mundial, está entre as fortes candidatas ao pódio, porque chegou à categoria há pouco tempo. A primeira competição no peso 70kg foi no Pan-Americano, em abril, e a brasileira terminou campeã. Foi prata no Grand Prix de Lima, no Peru, e bronze no Grand Slam do Cazaquistão. As favoritas da categoria são a japonesa Shiho Tanaka, campeã mundial, e a croata Lara Cvjetko. A brasileira estreia na chave contra Ema Fizelova, da Eslováquia, e pode pegar nas oitavas de final a francesa Clemence Eme.
Nauana Silva conquista medalha de bronze na categoria até 70kg no Grand Slam do Cazaquistão
Beatriz Souza (acima de 78kg): atual campeã olímpica, Bia tirou um pouco o pé do acelerador após a conquista, foi nona colocada no Mundial do ano passado e atualmente está em 20º no ranking. Foi campeã do Grand Prix de Lima, em agosto, no principal resultado nos últimos dois anos. O Campeonato Mundial pode marcar a retomada dela em busca dos primeiros lugares no ranking mundial. É uma categoria "que não tem dona", com várias atletas se revezando no pódio nos principais eventos. Os principais nomes, além de Bia, são a israelense Raz Hershko, as francesas Lea Fontaine e Romane Dicko, as japonesas Mao Arai e Akira Soi, a sul-coreana Hyeonji Lee e a italiana Asya Tavano. A questão é que, no sorteio das chaves, Bia enfrenta logo na primeira rodada a japonesa Akira Sone.
Beatriz Souza relembra ouro olímpico e reforça trajetória vitoriosa do judô feminino
Michel Augusto (60kg): terceiro colocado do ranking mundial, o atleta de 21 anos é uma promessa que já virou realidade do judô brasileiro. Foi quinto colocado no Campeonato Mundial do ano passado e participou dos Jogos Olímpicos de Paris 2024. Neste ano, se sagrou campeão do Grand Prix de Lima e levou o bronze no Grand Slam da Suíça. Está entre os candidatos ao pódio, mas não é favorito para a medalha. Deve ter uma estreia mais tranquila (folga na primeira rodada e enfrenta ou americano ou saudita na segunda fase), pode ter um adversário perigoso na terceira rodada (Tadjquistão ou Cazaquistão). Mas a tendência é chegar nas quartas de final sem maiores sustos. A partir daí, é só pedreira.
Machucado, Michel Augusto perde medalha de bronze e sai carregado no Mundial de 2025
Larissa Pimenta (52kg): medalhista de bronze nas Olimpíadas de Paris, tirou uma espécie de ano sabático em 2025, e, em 2026, voltou às competições aos poucos. Está em 16º lugar no ranking mundial, foi campeã do Pan-Americano e conquistou um bronze no Grand Prix de Lima. Não aparece entre as favoritas ao pódio, mas nunca se pode duvidar de uma medalhista olímpica. A líder do ranking, a kosovar Distria Krasnigi, está fora do Mundial. A japonesa Uta Abe é favorita ao título, com a italiana Odette Giufrida sendo a principal adversária. O sorteio das chaves colocou Abe no caminho de Larissa logo na estreia, que dificulta ainda mais a briga pelo pódio.
Rafael Macedo (90kg): quarto colocado do ranking mundial, está entre os candidatos, mas não favoritos ao pódio. Foi ouro nos Grand Prix de Lima de 2025 e 2026, e terceiro colocado no Pan-Americano. Nas Olimpíadas de Paris 2024, terminou na quinta posição, perto da medalha. É um judoca muito técnico, mas ainda não tem uma medalha individual em uma grande competição. Foi campeão mundial júnior em 2014. O principal favorito na categoria é o japonês Sanshiro Murao, líder do ranking e campeão mundial. O Japão levará um segundo atleta nessa categoria, Goki Najima, que fez a final com Murao ano passado. Luka Maisuradze, da Geórgia, e Murad Fatiyev, do Azervaijão, também estão entre os mais cotados, ao lado de Guilherme Schmidt. Logo na estreia, pode pegar o francês Maxime Gael, numa repetição da polêmica disputa do bronze nas Olimpíadas de Paris. Nas oitavas, pode enfrentar o Hajiyev, atleta da casa, mas que não lutou ainda em 2026. Nas quartas, podemos ter um encontro verde-amarelo com Guilherme Schmidt.
Leonardo Gonçalves (100kg): vice-líder do ranking mundial, conquistou quatro medalhas em Grand Slams e Grand Prix nos últimos meses. Com isso, é o segundo cabeça de chave do Campeonato Mundial. Busca a primeira medalha individual na competição e está entre os candidatos, mas não surge como favorito. É uma categoria que não tem um ou dois atletas acima dos outros e fica marcada pelo equilíbrio. O italiano Genaro Pirelli é o líder do ranking mundial, dois russos estão na briga pelo pódio (Arman Adamian e Niiaz Bilalov). O japonês Dota Arai, o holandês Simeon Catharina e o georgiano Ilia Sulamanidze também brigam. Pode ter uma estreia complicada contra o Kostoev (12º do ranking), mas em teoria a luta de oitavas é mais simples. Em uma hipotética quartas de final, pode enfrentar o russo Adamian ou o português Jorge Fonseca.
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