Resumo da fonte: Conheça Clarisse Vallim, judoca carioca de 15 anos, bicampeã mundial cadete, líder do ranking e representante do Brasil em Dakar 2026.
Judoca carioca começou no esporte aos quatro anos, conquistou dois Mundiais Cadete consecutivos e será a única representante do Brasil no judô em Dakar 2026
Aos 15 anos, Clarisse Vallim já tem dois títulos mundiais no currículo. A carioca de 1,64m conquistou o Campeonato Mundial Cadete de judô em 2025, quando tinha apenas 14 anos, e repetiu o feito em 2026. Além disso, ocupa a liderança do ranking mundial da categoria até 70kg e já acumula resultados entre as juniores.
A trajetória começou longe dos Mundiais. Clarisse iniciou no judô aos quatro anos por influência do pai e do avô, que também são judocas. Os primeiros passos aconteceram no projeto social Samurais do Morro, na Zona Norte do Rio de Janeiro, com os professores Cláudio Carelli e André Silva.
Hoje, Clarisse representa o Clube de Regatas do Flamengo. No clube, trabalha com os senseis Rosicleia Campos, Renan Moutinho, Walter Matheus e Murilo Gouveia. Na seleção brasileira, tem como uma das referências Maria Portela, que representou o país por mais de 15 anos justamente na categoria até 70kg.
Apesar de ter começado cedo, Clarisse chegou a interromper os treinamentos durante a infância. Depois de reclamar da rotina, recebeu do pai a possibilidade de abandonar o esporte. A experiência durou pouco.
“Uma semana depois, na sexta-feira, eu já estava angustiada para voltar. E aí nunca mais parei”, contou em entrevista ao Comitê Olímpico do Brasil.
A evolução levou Clarisse ao Mundial Cadete de 2025, em Sofia, na Bulgária. Ela tinha 14 anos e fazia sua primeira participação na competição. Mesmo enfrentando adversárias mais velhas e mais bem colocadas no ranking, venceu cinco lutas e conquistou o ouro dos -70kg.
A medalha integrou a melhor campanha brasileira até então em uma edição do Mundial Cadete. O país terminou o torneio com dois ouros, uma prata e dois bronzes.
O desempenho de Clarisse também lhe rendeu reconhecimento fora do tatame. No Prêmio Brasil Olímpico de 2025, ela venceu a categoria de destaque feminino dos Jogos Pan-Americanos Júnior.
Em 2026, a judoca ampliou o currículo. Foi campeã da Copa Europeia Cadete de Antalya, do Campeonato Pan-Americano Cadete e dos Jogos Sul-Americanos da Juventude, no Panamá.
No evento multiesportivo realizado no Panamá, Clarisse ainda recebeu outra responsabilidade. Aos 15 anos, foi escolhida como uma das porta-bandeiras do Time Brasil na cerimônia de abertura, ao lado do atleta de wrestling Lavozier Marubo.
“Meu pai sempre disse para mim e pro meu irmão para que, independentemente do que nos propuséssemos a fazer, sempre tentarmos fazer o melhor. Essa oportunidade me deixa muito honrada e sinto que consegui cumprir a promessa que eu fiz para ele: de tentar ser sempre melhor no que eu fosse fazer. Estou muito agradecida”, afirmou na ocasião.
Clarisse chegou ao Mundial Cadete de 2026, em Guayaquil, no Equador, em situação diferente daquela vivida um ano antes. Já era campeã mundial e liderava o ranking da categoria. Portanto, as adversárias conheciam a brasileira.
Clarisse disputou quatro lutas na campanha do bicampeonato. Na estreia, superou a norte-americana Chrystal Monthe Noussi por ippon. Depois, derrotou a francesa Norah Gosset nas quartas de final, com dois waza-aris por imobilização e um yuko.
Na semifinal, venceu a ucraniana Diana Samoiliuk por ippon. A decisão foi contra a belga Valerie Tombou, adversária que Clarisse já havia enfrentado duas vezes, com uma vitória para cada lado.
Na final mundial, a brasileira manteve maior volume de ataques. Tombou recebeu três punições por falta de combatividade, resultado que confirmou o segundo título consecutivo de Clarisse.
“É uma sensação inexplicável e, para ser sincera, a ficha ainda não caiu. Mas estou muito feliz e muito grata pela medalha que trabalhei muito para conquistar. Minha preparação desse ano foi muito mais forte do que a do ano passado, porque todo mundo me conhecia, então óbvio que seria mais difícil. Busquei sempre ajustar meus pontos fortes e melhorar os fracos, e estava muito mais preparada que em 2025. E vou estar o triplo para o ano que vem”, disse Clarisse após o título.
Com o resultado, ela chegou à segunda medalha e ao segundo ouro em Mundiais Cadete. A conquista representou ainda a 42ª medalha e o nono título do Brasil na história da competição, segundo a Confederação Brasileira de Judô.
Clarisse não se limita às competições da própria faixa etária. Em 2026, começou a enfrentar adversárias mais velhas na classe júnior. Ela conquistou a prata no Campeonato Pan-Americano Júnior e o bronze na Copa Europeia Júnior de Praga. Também terminou em quinto lugar na etapa de Graz.
Em 1º de setembro de 2026, a brasileira aparecia na liderança do ranking mundial cadete dos -70kg, com 1.370 pontos, e já ocupava a 10ª posição entre as juniores, com 300.
O próximo compromisso de maior projeção será em outro palco multiesportivo. Clarisse será a única representante do judô brasileiro nos Jogos Olímpicos da Juventude Dakar 2026, no Senegal.
O Brasil recebeu uma vaga no meio-pesado feminino, até 78kg. Embora atue regularmente nos -70kg, Clarisse já competiu na categoria superior em 2026. Foi justamente nos -78kg que conquistou o ouro nos Jogos Sul-Americanos da Juventude.
“Foi uma notícia incrível e é uma honra imensa ser a única representante do meu país no judô. Com certeza estarei preparada para o que der e vier”, afirmou sobre a convocação.
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