Resumo da fonte: Morre aos 85 anos Chiaki Ishii, primeiro medalhista olímpico do judô brasileiro. Conheça a trajetória e o legado do bronze de Munique 1972.
Pioneiro do judô nacional, Chiaki Ishii conquistou o bronze em Munique 1972, formou gerações de atletas, incluíndo duas filhas, e morreu nesta sexta-feira, aos 85 anos
Faleceu nesta sexta-feira, 16 de outubro, aquele que é considerado o pai do judô brasileiro. Chiaki Ishii conquistou, em Munique 1972, a primeira das 28 medalhas olímpicas do esporte. Além disso, ele foi o primeiro judoca brasileiro medalhista em Mundiais e ainda inspiraria a carreira de muitos grandes nomes do judô brasileiro. Ele tinha 85 anos. A notícia foi divulgada pela Confederação Brasileira de Judô (CBJ), sem informar a causa da morte.
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Nascido em Ashikaga, em 1º de outubro de 1941, ele se mudou para o Brasil em 1964 após não conseguir a vaga olímpica pelo seu país-natal, quando perdeu na seletiva para Okano Isao, eventual campeão de Tóquio 1964. No seu novo país, estudou agricultura em Presidente Prudente, onde trabalhou como fazendeiro. Não abandonou o judô e, em 1968, ao ir morar em São Paulo, abriu uma academia e continuou a praticar em alto nível.
Em 1971, ele ficou com a medalha de bronze na 93kg no Campeonato Mundial de Ludwigshafen, Alemanha Ocidental, tornando-se o primeiro brasileiro a subir ao pódio na história do torneio. No ano seguinte, e também na República Federativa da Alemanha, ele fez história novamente, ao conquistar a primeira medalha olímpica do judô brasileiro.
Em Munique 1972, venceu três lutas pela disputa da 93kg, antes de perder para Paul Barth, da Alemanha Ocidental, na final da chave B. Na final da repescagem, derrotou outro alemão, Helmut Howiller, da Alemanha Oriental, e se garantiu no pódio. Na época, os vencedores das repescagens enfrentavam os vencedores das chaves, em confrontos que valiam vaga na grande final. Chiaki Ishii caiu para o britânico David Starbrook e ficou com o bronze. Na categoria aberta, terminou em sétimo após perder para os dois finalistas.
Foram quatro medalhas em campeonatos pan-americanos em sua carreira: ouros na 93kg e na categoria aberta em 1970, e em 1972, nas mesmas categorias. Após encerrar sua carreira, permaneceu envolvido diretamente no judô nacional, com sua academia na Lapa, bairro de São Paulo.
Suas filhas Tânia Ishii e Vânia Ishii também chegaram aos Jogos Olímpicos. Tânia, nascida em 1968, foi medalhista de bronze nos Jogos Pan-Americanos Caracas 1983 e participou de Barcelona 1992. Já Vânia, de 1973, foi bronze em Mar del Plata 1995, ouro em Winnipeg 1999 e prata em Santo Domingo 2003, além de ter representado o Brasil em Sydney 2000 e Atenas 2004.
Outros grandes judocas passaram por sua academia, como Walter Carmona e Rafael ‘Baby’ Silva. Em 2023, ele recebeu o Troféu Adhemar Ferreira da Silva, em homenagem ao legado construído no esporte olímpico. Ele também integra o Hall da Fama da entidade.
Interessado em cinema, esporte, estudos queer e viagens. Se juntar tudo isso melhor ainda. Mestrando em Estudos Olímpicos na IOA. Estive em Tóquio 2020.
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